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Ribatejo

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A Região do Ribatejo, também apelidada de “Borda d’Água”, ou “Beira do Tejo” tem o Tejo como esposo que lhe deu o apelido e que fecunda as suas terras fazendo nascer paisagens de rara beleza natural e rural onde se avistam até ao horizonte vastas planícies.

Desse casamento entre terra e rio, nasceram 3 regiões naturais, a Leziria, o Bairro e a Charneca, diferentes entre si, mas iguais em abundância de culturas. Assim, a Charneca, a mais banhada pelo Tejo, é a terra mãe do arroz que apelidou de “Carolino”, o arroz que a tradução gastronómica renomeou de “Malandro”.

 A Leziria revela orgulhosamente vastas vinhas de um vinho maduro pelo sol e culturas essencialmente de tomate, de melões ou de girassol, revelando cores de verde e vermelho ou verde e amarelo inconfundíveis

O Bairro ostenta culturas onde abundam os cereais dourados, como o milho e o trigo mas também mostra culturas arbóreas onde prima a oliveira, a árvore cujos ramos simbolizam a paz e os frutos produzem uma riqueza dourada, o azeite, que ilumina qualquer prato gastronómico português, permeando-o com o título de Património Imaterial da Humanidade, dando um paladar iminentemente nacional à dieta mediterrânica que, na região do Ribatejo, deu uma cor de coral ao arroz das suas colheitas com o marisco que sabiamente lhe foi juntado e um sabor único à sopa que designou de sopa da pedra.

Todas as três regiões apresentam vastas pastagens verdejantes que se estendem ao horizonte numa valsa comandada por um vento generoso e que oferecem o seu fruto em alimento a rebanhos guiados e protegidos pelo Serra de Aires, cão fiel e dedicado, chamado “cão de água”, cavalos e touros domésticos mas também selvagens destinados às lides da tauromaquia.

Daí, raras não são as vezes em que se pode avistar “campinos” a recolher cavalos e touros, orientando-os com varas que orgulhosamente exibem, vestidos a rigor em trajes de cor ou negros, consoante a região

Pois, se na região da Lezíria e da Charneca prima a cor escarlate dos trajes: camisa branca, colete encarnado, calças e capote azuis, meia branca e barrete verde com borda encarnada, na região do Bairro prima a sobriedade do negro: camisa branca, colete negro, calças e capote negros, meia branca e barrete negro.

Pois, antropologicamente, o Ribatejo, é, assim, uma terra rica em tradições moldadas pelas tradições, atendendo a que a região só foi criada em 1936. Todavia, a especificidade da sua cultura é marcante pelos trajes e pelas danças fortemente ritmadas e marcadas por apontamentos de natureza tauromática, retrançando em cantigas e danças a vida do campo e riqueza das suas planícies.

E são precisamente as planícies que dão lugar a aglomerados urbanos fortificados por castelos Imponentes, alguns constituídos em passos reais, e protegidos por mosteiros e igrejas sumptuosas, marcas profundas de uma História rica em eventos que marcaram Portugal.